terça-feira, 2 de junho de 2009

Senta que lá vem história...

O bacana do Coesão é o diálogo. Como as turmas têm no máximo 30 alunos, sempre dá pra trocar idéias, perguntar, conversar, acrescentar. Como o conhecimento é muito mais interessante e tranqüilo de assimilar dessa forma! Numa dessas conversas, na aula de redação, perguntamos, brincando, quem não ia fazer medicina naquela sala e, pra minha mais absoluta surpresa, apenas uma pessoa ia prestar vestibular pra outro curso. Fiquei incrível... E de tudo o que a gente tem vivido lá, sempre tem uma história, sempre tem um relato bacana que alguém traz pra gente publicar no blog. Nessa semana, ganhamos mais um texto de nossa querida Carol, falando sobre escrita, sonhos, vestibular, medicina, caminhos, decisões. Muito legal... confiram:


Era uma vez...

por Carolina Magalhães, estudante de Medicina


Quando eu era criança, a minha brincadeira preferida era imaginar. Gostava mais de “dar asas à minha imaginação” que brincar de boneca, correr ou andar de bicicleta. Não existiam limites para a minha brincadeira, não existia lógica (para quem estava de fora), nem regras, eu podia ser o que quisesse e criar o que estava com vontade. Com o tempo, descobri que podia escrever tudo que eu imaginava. Assim, ficava horas escrevendo histórias em frente ao computador. Diria que as músicas da minha infância eram: “Eu moro num cenário/ Do lado imaginário/ Eu entro e saio sempre / Quando tô a fim...” e “Basta imaginar e ele está / Partindo, sereno e lindo/ Se a gente quiser/ Ele vai pousar...”. Só depois de muito tempo, percebi o quão preciosas eram as minhas aquarelas, elas tinham o que qualquer poeta invejaria: veracidade, pureza e liberdade.

(In)Felizmente, o tempo passou e fui evoluindo no colégio (passando de série). E eis que surge o meu carrasco: redação. Você agora deve estar se perguntando: “Ela amava escrever, não seria lógico que se daria bem nessa matéria? ” Pois eu realmente amava escrever, mas não amava o jeito que me ensinaram redação. Na verdade, não queriam que eu escrevesse, queriam que eu reproduzisse algo, queriam que eu apenas fosse mais um padrão e seguisse regras chatas e sem lógica (tinham menos lógica que minhas histórias!). Assim, tive que aprender na “marra” (ou nas notas) as regras. Não digo que as entendia, apenas conseguia imitá-las. O que aconteceu foi que aqueles “educadores” cortaram minhas asas e trancaram minha imaginação em um baú, e o nome do cadeado chamava-se ódio. Passei a odiar escrever, fazer redação e imitar.

O tempo passou e eu precisei encarar o vestibular, percebi que parar realizar o meu sonho (fazer medicina) precisava fazer com que as pedras no meu caminho virassem meu castelo (e com certeza, redação era uma pedra bem grande nessa caminhada). Assim, “meti as caras” e comecei a treinar, precisava entender as regras e ser a melhor na imitação do padrão. De tanto treinar, consegui entender aquelas chatices, mas – para minha surpresa - isso não foi suficiente para eu passar no vestibular de medicina, faltava algo e eu nem sonhava o que era (minha imaginação não ajudava muito nessa época).

Ainda bem que encontrei verdadeiros professores (ou talvez, fossem apenas humanos) que me deram o mapa para encontrar meu tesouro: a chave do meu baú. Dessa vez, a chave chamava-se autoconfiança e autoconhecimento. Depois de uma longa caminhada, consegui encontrar a chave e abrir meu baú, que continha minha preciosidade. Foi com elas (a chave e a minha preciosidade) que descobri o cimento para construir o meu castelo. Confesso que não estou nem perto de acabá-lo, ele está mais para aquela música: “Era uma casa muito engraçada/ não tinha teto não tinha nada”,ou melhor, “Mas era feita com muito esmero/ na rua dos bobos número zero” .

Não importa o resultado do vestibular (isso é apenas conseqüência), o que importa é que hoje eu sei um pouco do que sou e do que fui. Cresci a tal ponto que me tornei uma verdadeira criança (me refiro àquela idealizada no “O Pequeno Príncipe”). Talvez, tenha me tornado esta criança por ter aprendido com meus erros, por ter enxergado o meu presente e vivido a caminhada. Afinal, “Não importa o caminho e sim a caminhada”.

Escrevi este pequeno relato na esperança de ajudar todos aqueles que, talvez, estejam perdidos (como um dia eu estava, e ainda estou) e precisem se encontrar um pouco para realizar seus sonhos. Se este for o caso, não se preocupem, vocês estão no caminho certo. Afinal, como disse Augusto Cury: Como poderão se achar se nunca se perderam?


6 comentários:

Carolina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carolina disse...

Estou super feliz em contribuir novamente aqui com o blog!
Espero que tenham gostado do texto e que se inspirem e deixem sempre as emoções surgir através da escrita, como aconteceu comigo nesse texto!
Obrigado por me dar a oportunidade de divulgá-lo!

Fred( irmão de Carol) disse...

Que minha irmã era tão grande!
ahhh nem tanto sabia...
Em outro tópico, eu falando de Drummond, de óbvio e de angústia
e ela traduzindo em experiência o que o sujeito dizia...
Eis a o conhecimento face a sabedoria.
Nessa historinha eu entro como aquele que bem nas notas me saia...
Não muito afeito às regras
deixava de lado enquanto escrevia talvez uma vontade reprimida de enxergar poesia
onde a lourinha via ódio e antipatia.
Ver, enxergar,
(Penso que estamos cegos, cegos que vendo não vêem)
Perder, achar
(Madness is like gravity, all it needs is a little push)
Enfim...
(Tre)Vendo Matrix não esqueceria do quão Arquiteto nos querem(os) fazer...
Deixam(os) calado o lado
Oráculo do mundo...
Vixe quanto ia.. e quanto lado...
Mas é isso, de lado a lado
a gente acaba fazendo o que não IA
E quando vai ver já fez.
Vá entender o humano...
A mana, agora poesia,
eu já entendo melhor.

Fred disse...

Ahh lourinha e demais...
Tem um texto bala sobre
a saída do pensamento
à vinda ao logos
de um maluco brasileiro
O nome é "a importância do ato de ler".

Coesão disse...

não conheço esse texto, fred, manda pra mim ;)
bom ter vocês por aqui. vocês são sempre bem-vindos.
aquele abraço

Carolina disse...

Meu irmão pediu pra mandar o link com texto que ele falou...
http://extralibris.org/2007/04/a-importancia-do-ato-de-ler/