sexta-feira, 6 de março de 2009

Escuta aqui ;)

Coesão é expressão, pensamento, crítica, conexão, posicionamento. Todo dia a gente fala, conversa, troca idéia. Aula boa é assim. E foi numa dessas que surgiu o texto de nossa querida Carol, uma reflexão sobre as idas e vindas da folia baiana. Pegue sua pipoca e bon apetit!

“We are Carnaval”?

por Carolina Magalhães Costa

No carnaval de Salvador, todos se transformam, pulam e se contagiam como diz a música: “Vai compreender que o baiano é / um povo a mais de mil / Ele tem Deus no seu coração / E o diabo no quadril / We are carnaval”. Essa afirmação é continuamente vinculada na mídia, vendedora de nossos estereótipos para exportação. Mas afinal, somos mesmo carnaval? E se formos, o que seria o carnaval baiano?

Antes de afirmar o ser ou não ser, primeiro é necessário analisar o carnaval ocultado pela mídia. Na realidade, o que se vê nas ruas da folia baiana são as desigualdades presentes não só no Nordeste, mas também em todo o Brasil. Assim como no coditiano, estar em um curral – que seria os condomínios luxuosos no dia-a-dia, bem como os blocos e camarotes no carnaval – é sinal de prestígio, beleza e sucesso. Por outro lado, mais uma vez a população carente fica responsável pela “segurança”, os cordeiros, ou pela confusa explosão de milhos, a pipoca. Cuidado então com a pipoca! Para ela ser o que é, foi preciso muita briga, quentura e confusão. Pena que essa pipoca não tem nem manteiga. Afinal, se houvesse esse tempero, a pipoca ficaria saborosa e todos iriam se servir. E assim aconteceria algo que não pode acontecer: uma fuga do cotidiano!

É bem verdade que, no carnaval, entre uma explosão e outra, pode-se achar um pouco de sal – tempero mais barato – e começar a gostar da tal pipoca. Esse sal é a espontaneidade; os afoxés, que lutam todo ano para não continuar marginalizados nem dormir por sair tão tarde; o Arrastão, na quarta de Cinzas, que transforma em fênix aqueles que trabalham durante o fluxo dos currais; o bloco independente e a felicidade. Mas não se engane, esse tal sal não é a alegria homogênea vendida pela mídia, não é o nativo brincando de ser feliz para gringo ver e tentar comprar. Esse sal é justo o contrário, é a diversidade, a genuinidade e a liberdade. É isso que o torna tão especial e, principalmente, barato. Afinal, quem seria louco de valorizar tempero tão saboroso e, ao mesmo tempo, tão perigoso? Como dizem por aí: “O caro que é o bom”. Contudo, é bom lembrar que, assim como a água, esse sal é essencial e mais precioso que o vinho (neste caso, que a manteiga).

O carnaval precisa sofrer algumas mudanças. Talvez esteja na hora de, como disse um historiador da UFBA, ‘democratizar a alegria” (só espero que seja uma democracia diferente da que ocorre na política brasileira). Talvez assim o sal se multiplicaria e, quem sabe, se transformaria em manteiga até que todos se servissem e fugissem do cotidiano. Mas enquanto isso não acontece, fica a frase: “ser ou não ser, eis a questão”.

4 comentários:

Carolina disse...

Obrigado mais uma vez!
Fico honrada e grata por ter a oportunidade de divulgar um texto meu!Espero que tenham gostado!
Se possível, comentem para eu saber a opnião de vocês!
Estarei sempre disponível para ajudar aqui no blog, que está muito bom!
Sentirei saudade do coesão esse ano!
Carolina Magalhães

Claudita disse...

Esta é filha a de Frederico!!!!
Muito interessante a questão dos excluídos!E pensar que eu faço parte dessa "pipoca sem manteiga!!!"hehehehehhehehe

clara disse...

Essa é a aluna destaque Coesão 2008!!! rsrsrsrsrs... Arrasou Carol! Muito Bom!

katherine disse...

Amiga, não precisa nem dizer o quão seu texto está maravilhoso e expressa o que muitos pensam e não tem nem a coragem e nem a criatividade que você teve para escreve-lo!
TODA sorte do mundo pra você, torço muito pela sua felicidade e sucesso, você merece!
beijos,

Katherine Carneiro